Apontamento de segunda de madrugada

agosto 29, 2016

Um número a mais na idade é algo que costumava assustar-me. No auge dos meus 26 anos, parece que - normalmente, ou não - eu já teria que morar sozinha, estar praticamente casada, ter um trabalho para a vida inteira e meio caminho andado para começar a pensar em formar uma família. Há pessoas mais novas com tudo isto, assim como existem pessoas mais velhas com nem metade ainda do que eu tenho. Mas não vou entrar em comparações.

É pesado ter 26 anos para a sociedade e o mundo lá fora e os hábitos e costumes. Tenho idade para ser uma "adulta chata", tenho idade para ser uma mulher com responsabilidades, deveres e todo o resto, ter uma postura séria. No entanto, sou uma adulta com aquele lado criança. Recuso-me a ser uma "adulta chata", recuso-me a deixar de ver os filmes da Disney e do Harry Potter, a ler alguns livros "young adult" e a deixar de achar super normal que eu e a Andreia conversemos uma com a outra com sotaques ucranianos e que morramos a rir por isso mesmo, como se tivessemos 5 anos e outras coisas que os "adultos chatos" acham impensáveis. Não é por ter 26 que eu tenho que fazer cara feia, deixar de ver a alegria nas coisas mais simples e, ainda mais, preocupar-me só com uma rotina, o trabalho, os planos de uma vida que teria que ser estritamente desenhada por um padrão instaurado pela sociedade.

Eu estou bem. Estou contente com os meus 26 - finalmente estes serviram-me - com os meus deveres, as minhas responsabilidades; com a ideia de que ainda tenho muito pela frente, ainda sou muito jovem, tenho um mundo inteiro de possibilidades para explorar; estou contente em perceber que comprar uma máquina de lavar roupa para casa é algo que me faz sentir... realizada.
Não conseguiria reconhecer-me como uma pessoa ligada ao sério, com uma pessoa que estivesse obcecada em atingir um objectivo, como alguém que não se permitisse mais a ter credibilidade para fazer aquela ou aquela outra birrinha de vez em quando; não sei reconhecer-me como alguém que é tão igual a todo o resto. Espero nunca me tornar uma "adulta chata".

Estou bem.

2 comentários:

  1. Anónimo29/08/16, 10:42

    O importante é sentirmos-nos bem connosco próprios :)
    Boa semana *

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  2. Ainda bem que estás de bem com os teus 26. E não te deixes ficar adulta chata!! És maravilhosa assim como és :)

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