Como anda a vida profissional?

março 14, 2017

Se pudesse resumir numa s√≥ palavra a resposta √† pergunta do t√≠tulo, n√£o conseguiria. No m√≠nimo, duas: √† deriva. √Č assim que tenho andado. Esta publica√ß√£o vem em jeito de desabafo ent√£o, obrigada a quem ler e tiver a pachorra. 

Quando a crise chegou à minha família e pagar as propinas da minha universidade tornou-se complicado, optei por afastar-me da licenciatura e começar a ajudar o meu pai no restaurante dele. Isto em 2013. Ao fim de um ano e pouco e porque consegui juntar algum dinheiro (embora não pensem, nem por um segundo, que trabalhar no restaurante do pai rende salários pois a resposta é não!) reingressei na Universidade e terminei a minha licenciatura, finalmente, fazendo o esforço de estudar e trabalhar ao mesmo tempo. No entanto e porque o meu pai necessitava de mim, mantive-me pelo restaurante mesmo após o fim da licenciatura. Resolvi esperar que aparecesse alguma oportunidade ou, por qualquer motivo, o meu pai me proporcionasse asas para poder fazer as minhas próprias escolhas profissionais ou porque, verdade seja dita, eu tenha que tomar as rédeas da minha vida. Mas é sempre um bocado complicado, percebem? Não trabalhem com familiares.

Em Setembro de 2016 resolvi que, ent√£o, ia procurar algum trabalho que viesse mais de acordo √† minha √°rea acad√©mica. Sempre tive um gosto pela escrita ent√£o quando a vaga de "content creator" numa ag√™ncia de marketing digital, apareceu-me √† frente, corri atr√°s. Consegui a entrevista, consegui a vaga e comecei desde logo a integrar-me na equipa. Tinha at√© a oportunidade de conseguir um est√°gio profissional ao abrigo do IEFP que n√£o s√≥ me proporcionava uma boa bolsa no final do m√™s mas tamb√©m era uma mais valia para a ag√™ncia j√° que o Estado cobre uma % dessa bolsa. Entreguei os meus documentos, tudo certinho e, como n√£o haviam hor√°rios certos na ag√™ncia, eu mantive os dois trabalhos: n√£o deixei de ajudar o meu pai no restaurante e ainda comecei a criar conte√ļdo a n√≠vel de blogues de clientes e para a ag√™ncia e sempre com motiva√ß√£o, afinco, uma vontade enorme de aprender e crescer. Driblei a situa√ß√£o muito bem e assim me mantive feliz.

Se n√£o fosse por um pequeno detalhe: como estava √† espera do est√°gio, n√£o era remunerada. Era uma coisa muito "n√£o-oficial" e eu decidi assim manter e levei os primeiros dois meses como se fosse um est√°gio curricular, um aprendizado. Aprendi bastante e adquiri experi√™ncia em alguns conceitos de marketing, SEO, adwords, etc.. coisas que quem envereda pela √°rea do Marketing acaba por aprender. √Č de notar que eu sou licenciada em Rela√ß√Ķes Internacionais ent√£o estava como um "peixinho fora de √°gua" nesta caminhada mas, creio eu, fui fazendo boa figura. Descobri que gosto muito da √°rea de copywriting. Descobri o que tem a ver comigo e o que gosto de fazer. As coisas come√ßaram a descambar quando o meu est√°gio deu errado e n√£o foi aceite.
Culpa minha? Não. Culpa da empresa, sim. Outra lição que levo de adiante: as empresas só podem ter 1/3 de estagiários. Foi meio que um "cheguei tarde demais" e perdi o meu estágio profissional. Acredito que eles também aprenderam com isso.
Nas entrelinhas de recursos ao IEFP e um tentar de inverter a situação, passou-se mais um mês. Zero dinheiros. Acabei por chegar a um acordo com a empresa de que faria um part-time job com eles, estilo freelancer e em troca dos meus trabalhos, recebia um certo montante. Voltou a vontade e motivação para aquela situação que já se arrastava há 3 meses e durante esse mês, renovada, mantive-me fiel e com a mesma vontade inicial.

No entanto - e porque a minha vida √© cheia destas coisas que de minuto em minuto viram-me a cabe√ßa - quando fui reclamar o meu sal√°rio a resposta foi de que n√£o tinham data prevista e concreta de procederem ao pagamento. Tomei a decis√£o, desde logo, de me afastar. Entendam que, paix√Ķes n√£o enchem carteiras nem pagam compromissos, nem vontade de concretizar objectivos. 

E voltei √† procura e √© uma merda estar √† procura de trabalho. Procuro oportunidades na mesma √°rea do copywriting, marketing digital (porque realmente aprendi a gostar e identifiquei-me com a √°rea) mas as respostas s√£o quase nenhumas. E √© tamb√©m uma bosta ser chamada para uma entrevista e perceber que aquele trabalho para o qual fui chamada n√£o me atrai nem um bocadinho. Provavelmente, vou ter que apelar para outras √°reas de actua√ß√£o mas, no momento, ainda n√£o perdi a esperan√ßa de at√© meio do ano estar integrada em outra equipa e a perseguir o meu sonho de me estabilizar profissionalmente e criar condi√ß√Ķes para cumprir as minhas metas pessoais.

Então estou à deriva, a boiar.
Acredito que vou atracar em algum lugar.

Continuo a ajudar o meu pai e ir juntando uns troquinhos. Afinal, n√£o posso viver sem as minhas brusinhas

15 coment√°rios:

  1. Desde que te acompanho - já lá vai um tempinho! - que vejo em ti uma pessoa muito independente, dedicada e interessada. Sempre adorei a forma simples (mas eficaz) como tratas o teu blogue e como escreves e tenho a certeza que isto é apenas uma pequena reflexão do que és na vida real. Isto para dizer que tenho a certeza que esta maré de menos sorte (não lhe chamaremos azar) não é culpa tua e que logo, logo serás recompensada por todo o esforço e dedicação que tiveste e continuas a ter a nível profissional. Tenho a certeza que terás muito sucesso - ou pelo menos assim o espero! - e estou aqui com muita vontade de ler a publicação que vai anular tudo o que disseste nesta. Keep going, Catarina. Sei que as minhas palavras são apenas isso, mas não desistas. Vais ser recompensada!

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    1. Fizeste a minha noite! Muito amor por este coment√°rio.

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  2. Não é de todo fácil, desejo-te a maior sorte deste mundo na procura de trabalho, acredita e tem fé que ele há-de aparecer! Um beijinho, Ana Rita*

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  3. Revi-me nesta tua publicação, pois estou numa fase semelhante à tua. Aguardo à largos meses a resposta que me permita iniciar o meu estágio e, enquanto isso, procuro emprego.
    Desejo sinceramente que as coisas te corram da melhor forma. Estou a torcer por ti! :)

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    1. E eu estou a torcer, do mesmo modo, por ti! Espero que a resposta que esperas seja positiva porque eu fiquei 2 meses a olhar pro bal√£o e deu tudo errado.
      Beijinho

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  4. Anónimo15/03/17, 13:14

    Não é fácil, de todo ! Mas vais ver que mais tarde ou mais cedo alguma coisa vai aparecer :)

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    1. Temos que unir as nossas forças e fazer correntes positivas!

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  5. √Č de facto uma situa√ß√£o muito complicada mas tu tens uma maneira muito madura de levar a vida. O problema n√£o √© teu, acredita. Continua de cabe√ßa erguida e vais ver que mais cedo ou mais tarde se v√£o abrir portas com o que gostas realmente de fazer. Mereces tudo de bom! Beijinhos

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    1. Querida Maria, tenho uma grande empatia por ti!
      Muito obrigada pelo teu coment√°rio. Mais cedo ou mais tarde, assim espero, tudo vai correr bem mesmo.

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  6. Ando, como tu, à procura de trabalho e não é fácil, eu sei. Mas eu acredito que há um cantinho algures para nós que nos esforçamos e queremos aprender e trabalhar.
    kiss na cheek

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    1. Assim esper√°mos. Desejo-te tudo de bom!

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  7. Tenho a certeza que vais encontrar trabalho. Acredito que te sintas meio perdida com a situação, principalmente depois desse tempinho a trabalhares e a sentires-te realizada na área que gostas. Mas é continuar todos os dias a lutar e a ver de novas oportunidades, e neste meio elas aparecem, com toda a certeza.
    Boa sorte, Catarina! Estou a torcer por ti :)

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  8. Essas empresas, em sua grande maioria, só querem tirar vantagens. E se não tem um contrato formal, f&%$#@! Vc fez bem em se afastar. De resto, continue indo atrás que as coisas acontecem.

    beijo, Bruna

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